tanto faz... ou não!

UMA SÉRIE DE COISAS SOBRE ALGO OU VICE-VERSA. PALAVRAS COM SOL OU CHUVA, SORRISO OU LÁGRIMA, MÚSICA OU SILÊNCIO, COERÊNCIA OU DEVANEIO, FICÇÃO OU REALIDADE, NOVIDADE OU LUGAR COMUM (como esta própria introdução). TANTO FAZ... OU NÃO!

Tuesday, April 19, 2005

volando


voltava pensando
em mudar de rota. pensou em idade-limite, tempo-limite, guinada-limite, risco-limite. em como poderia (res)guardar pessoas e coisas às quais estava acostumada para buscar o que queria. mas o que queria? não, tempo-limite em guinada nãobrecha para questionamento. tinha tempo para o como, não mais para o quê. ou não? ouviu o taxista de mais de 40 falando em pé-de-meia em cidade pequena. conjecturas aos 40? se ele tinha opção... mas ela tinha? tinha a opção de colocar de lado o que tinha. e . sentiria falta de algo em algum lugar? o certo era não sentir dela mesma, do que ela queria ser e ter. isso não. chegou e viu o sorriso acolhedor de seu pai e sentiu o abraço afetuoso de sua mãe. na cozinha, o bolo de chocolate e o pão caseiros feitos pra ela. no almoço, feijão tropeiro, arroz, mandioca, carne de porco e couve. tradição mineira para uma filha da terra que, segundo seu maior poeta, não deixa o coração de ninguém, mesmo que um filho seu saia de Minas. e ? como ficar sem tanta demonstração de bem querer? cercar-se de segurança afetuosa, suprimir a ansiedade ou afastar-se disso e andar por ? pensava em vidas burocraticamente construídas, sem rodeios, sem contratempos, sem devaneios. a sua era assim. seguiu tudo direitinho e sentia que chegou numa posição da qual vai levar muito tempo para sair. talvez não se mova nunca. foi dormir pensando que agora até que tava bom, mas isto não poderia durar mais que dois anos. em dois anos tem vontade de olhar por outra janela, andar por outra rua. mas ainda encontrar o sorriso acolhedor de seu pai e o abraço afetuoso de sua mãe. esta opção ainda quer ter.

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