berremos!!!
14h30. Hora do sono gostoso... Sozinha em casa, barriga cheia, sem horário pra nada, tempo nublado, blackout na janela, no som com função sleep “ocean odissey” (cd só com barulho do mar, sons de baleia e golfinho e uma melodia pra completar)... Tudo perfeito para o sono dos justos. Mas o seu vizinho, junto com um grupo de jovens senhoras cujas vozes já gastaram seu veludo, acha que é o momento apropriado para cantar parabéns com todo aquele pout-pourri a que se tem direito: “Parabéns a você / É pique, é pique/Com quem será”. E eles são católicos. Daí vem o resto dos parabéns na versão católica: “Abençoa, Senhor, esta fulana/ Abençoa, Senhor, esta fulana”, versos repetidos à exaustão que é pra dar tempo dos vizinhos aprenderem. Depois eles completam com “A fulana já foi abençoada/A fulana já foi abençoada”, também repetidos 300 vezes que é pra gente saber que fulana é de Deus e não é pra gente bulir com ela. Tudo bem, eles podem cantar parabéns, mas num volume adequado praquele tipo de voz. Afinal, não estamos no bosque (ou floresta?) em que as gralhas se suportam (hein, onde ficam as gralhas?). E não fossem estes vizinhos os mesmos que resolvem começar a brigar à 0h ou às 3h de uma terça, por exemplo, tudo bem.... Mas paciência tem limite, e poucas verdades são tão inquestionáveis quanto esta. E eles continuam: “Louvemos!!!”. Louvemos? Louvem, então, a trilha sonora de Hair , The Doors, Janis e Carmina Burana!! Berremos todos juntos!! Mode Present EQ Rock volume 30 (e é uma pena que este seja o volume máximo do meu som). Canto (ou grito?) junto, pulo na cama, faço caras e contorções dramáticas (não, não à vista deles). Estou louvando! “Bees, flowers, freedom, hapinnes/The future`s uncertain and the end is always near/take a little piece of my heart now, baby/mecum onnes plangite”. Deixo a pregação só por conta do meu som. Paro a música torcendo pra eles terem ficado quietos. ...Silêncio... Sim, foram catequizados. Dou-me por satisfeita e resolvo cometer o pecado da gula, já que o da preguiça eles interromperam. Vou comer aquele brigadeirão que está na geladeira. Ah, o chocolate... Ele existe, graças a Deus!
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