tanto faz... ou não!

UMA SÉRIE DE COISAS SOBRE ALGO OU VICE-VERSA. PALAVRAS COM SOL OU CHUVA, SORRISO OU LÁGRIMA, MÚSICA OU SILÊNCIO, COERÊNCIA OU DEVANEIO, FICÇÃO OU REALIDADE, NOVIDADE OU LUGAR COMUM (como esta própria introdução). TANTO FAZ... OU NÃO!

Thursday, May 19, 2005

carmina burana, por exemplo


"Vita detestabilis/nunc obdurat/et tunc curat/ ludo mentis anciem/ egestatem/ potestatem/ dissolvit ut glaciem/ sors imanis/et inanis/ orta tu volubilis/ status malus/ vana salus/ semper dissolubilis (...) mecum onnes plangite.’’

Você
ouviu esses versos antes. Se assistiu ao filme Indiana Jones e o Templo da Perdição, com certeza as palavras, mesmo que em latim, soam familiares. Esse é um trecho da área Fortuna, que abre e encerra a ópera Carmina Burana, composta pelo alemão Carl Orff em 1937. Antes de Steven Spielberg fazer uso desse trecho para aumentar o clima tenso da cena em que seguidores de uma seita realizam um sacrifício humano, muitos diretores de filmes e seriados tinham explorado a mesma música, com o mesmo propósito. E continuam fazendo isso. A explicação é simples. Carmina Burana dá medo. O coro de vozes masculinas, entoando os versos com ritmo preciso, não permite outra associação se não com um ritual satânico. Mesmo composta no século 20, a música tem forte apelo medieval. O que muitos não sabem é que, ao contrário do efeito provocado, a letra de Carmina Burana nada tem de horripilante. Para compor Fortuna, Carl Orff baseou-se em 25 poemas sobre a vida, o amor e a bebida, escritos provavelmente entre os séculos 10 e 13 por intelectuais. A coletânea de poemas foi encontrada em 1803 no mosteiro beneditino de Benediktbeuern, na Bavária, e passou a ser chamada de Lieder aus Beuren (Canções de Beuren) ou Carmina Burana. A letra da área mais conhecida fala sobre os infortúnios da vida, o paradoxo entre a miséria e o poder, e fecha com o lamento: ‘‘Todos chorem comigo!’’
Publicado pelo Correio Braziliense, 17/12/2000

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