"Vita detestabilis/nunc obdurat/et tunc curat/ ludo mentis anciem/ egestatem/ potestatem/ dissolvit ut glaciem/ sors imanis/et inanis/ orta tu volubilis/ status malus/ vana salus/ semper dissolubilis (...) mecum onnes plangite.’’
Você já ouviu esses versos antes. Se assistiu ao filme Indiana Jones e o Templo da Perdição, com certeza as palavras, mesmo que em latim, soam familiares. Esse é um trecho da área Fortuna, que abre e encerra a ópera Carmina Burana, composta pelo alemão Carl Orff em 1937. Antes de Steven Spielberg fazer uso desse trecho para aumentar o clima tenso da cena em que seguidores de uma seita realizam um sacrifício humano, muitos diretores de filmes e seriados já tinham explorado a mesma música, com o mesmo propósito. E continuam fazendo isso. A explicação é simples. Carmina Burana dá medo. O coro de vozes masculinas, entoando os versos com ritmo preciso, não permite outra associação se não com um ritual satânico. Mesmo composta no século 20, a música tem forte apelo medieval. O que muitos não sabem é que, ao contrário do efeito provocado, a letra de Carmina Burana nada tem de horripilante. Para compor Fortuna, Carl Orff baseou-se em 25 poemas sobre a vida, o amor e a bebida, escritos provavelmente entre os séculos 10 e 13 por intelectuais. A coletânea de poemas foi encontrada em 1803 no mosteiro beneditino de Benediktbeuern, na Bavária, e passou a ser chamada de Lieder aus Beuren (Canções de Beuren) ou Carmina Burana. A letra da área mais conhecida fala sobre os infortúnios da vida, o paradoxo entre a miséria e o poder, e fecha com o lamento: ‘‘Todos chorem comigo!’’
Publicado pelo Correio Braziliense, 17/12/2000
0 Comments:
Post a Comment
<< Home